29 de março de 2011

I can't get no satisfaction.



Mas afinal, que queres tu?
Eu? Sei lá.
Sabes lá? Isso não é resposta para alguém da tua idade.
Que sabes tu da minha idade?
É a idade das portas abertas, do poder fazer tudo o que se quer.
Estou farta de poder fazer tudo o que quero. Ás vezes é bom que nos indiquem o caminho. Que nos peguem na mão e nos guiem. O livre-arbítrio cansa-me. Andar sempre aos tropeções cansa-me. Guia-me, dá-me ordens, aponta numa direcção. Por mim! Desisto, okay? Esta permanente insatisfação está a dar cabo de mim. Não me contento com nada, quero tudo. E tudo ao mesmo tempo. Lido mal com a espera. Preciso sempre de um bocadinho a mais, um copo a mais, um bafo a mais, um beijo a mais. E no fim do dia, esse bocadinho estragou tudo. 'Cause I try and I try and I try and I try. E não saio deste limbo, alternando entre o desespero e a vertigem de uma nova aventura. Entre a recusa e o desejo pelo confortável.
Se ao menos eu soubesse... porque quem não sabe o que quer não luta por coisa nenhuma.

I can't get no, oh no no no.


edit: diz que é chamada a crise de um quarto de idade.

23 de novembro de 2010

smoke.


first he took an unsmoked cigar and he put it on a balance and weighed it. then he lit it up. he smoked the cigar, carefully tapping the ashes into the balance pan. when he was finished, he put the butt into the pan along with the ashes. he weighed what was there, then he subtracted that number from the original weight of the unsmoked cigar. 
the difference was the weight of the smoke.
(smoke,  wayne wang)

16 de novembro de 2010

guilt.


o despertador toca.
já é de manhã? merda... que dor de cabeça infernal. 
olho em volta. como fui aqui parar? estou vestida. porque é que estou vestida?
levanto-me e vou tacteando as paredes brancas do meu quarto escuro até à casa de banho. 
engulo a seco. tenho sede, tenho tanta sede. abro a torneira e bebo a água tépida servida nas minhas mãos.
olho-me ao espelho. assusto-me e recuo um passo. a minha cara, os meus olhos.. o que é que se passou? merda..não me lembro de nada.
olho fixamente o rosto que não reconheço: o olhar perdido e negro que vai ficando turvo e vazio. 
perco a visão e os meus ouvidos ampliam o silêncio ensurdecedor em que está presa a minha mente. de repente ouço sirenes, ouço carros a buzinar, pessoas que gritam por ajuda, uma confusão inexplicavelmente familiar. 
recupero a visão e perco momentaneamente os sentidos. 
ainda atordoada pela experiência extra-sensorial que acabo de viver, agarro-me ao lavatório e molho a cara com àgua fria. não consigo entender.. o que se passa? os meus olhos vermelhos,  banhados em pequenas lágrimas geladas são espelhos do terror que sinto cá dentro. não percebo, não consigo entenderbebi? não me lembro de ter bebido. não, não bebi. o meu hálito não tem o travo bafiento com que acordo depois de beber. 
preciso de sair de casa. volto ao meu quarto escuro e agarro na carteira. preciso de sair de casa. 
abro a porta da rua. merda, está frio...não quero saber. a claridade da manhã fere-me os olhos e o latejar da minha dor de cabeça ainda me incomoda. sinto uma estranha agonia ansiosa cuja origem não consigo identificar ainda. quero ignorá-la, mas não consigo.
vou andando, sem destino. preciso de ir andando.

(continua...)

9 de novembro de 2010

tempestades.


Sometimes fate is like a small sandstorm that keeps changing directions. You change direction but the sandstorm chases you. You turn again, but the storm adjusts. Over and over you play this out, like some ominous dance with death just before dawn. Why? Because this storm isn't something that blew in from far away, something that has nothing to do with you. This storm is you. Something inside of you. So all you can do is give in to it, step right inside the storm, closing your eyes and plugging up your ears so the sand doesn't get in, and walk through it, step by step. There's no sun there, no moon, no direction, no sense of time. Just fine white sand swirling up into the sky like pulverized bones. That's the kind of sandstorm you need to imagine.

An you really will have to make it through that violent, metaphysical, symbolic storm. No matter how metaphysical or symbolic it might be, make no mistake about it: it will cut through flesh like a thousand razor blades. People will bleed there, and you will bleed too. Hot, red blood. You'll catch that blood in your hands, your own blood and the blood of others.

And once the storm is over you won't remember how you made it through, how you managed to survive. You won't even be sure, in fact, whether the storm is really over. But one thing is certain. When you come out of the storm you won't be the same person who walked in. That's what this storm's all about.

(Kafka on the shore, Haruki Murakami)

os ventos levantam-se enquanto as nuvens bloqueiam o luar. ao longe os tambores anunciam a chegada da tempestade. chove pouco, por enquanto os meus passos ecoam mais alto. vou passeando na rua despida de gente. chove muito, apresso o passo à procura de um abrigo. o som dos trovões aumenta ao mesmo tempo que os raios rasgam a negridão da noite. tenho pressa, mas hesito: agora a chuva é uma cortina que não me deixa ver o caminho. insisto, a trovoada não me mete medo. avanço. a chuva corta-me a pele à medida que avanço para lado nenhum. o meu corpo começa a ceder, não sou assim tão forte. já não consigo avançar, sinto a cabeça a cair e resigno-me à fraqueza da minha condição. desisto, mas só por hoje. hoje não. amanhã é um novo dia.
até amanhã.


25 de outubro de 2010

In the mood for love.


It is a restless moment.
She has kept her head lowered,
to give him a chance to come closer.
But he could not, for lack of courage.
She turns and walks away.

That era has passed.
Nothing that belonged to it exists any more.

(poema popular)

senti saudades.

9 de outubro de 2010

que queres ser quando fores grande?


com que idade é suposto sabermos responder seriamente a esta pergunta?

7 de outubro de 2010

6 de outubro de 2010

conversas de café.


as melhores conversas de café são aquelas que começam com um simples "lembras-te".
são aquelas partilhas de memórias de uma juventude ainda tão presente, que acabam quase sempre espalhando sorrisos gratuitos: os primeiros beijos, as primeiras asneiras, os sonhos e desalentos tão próprios da idade.

hoje alguém me disse "acho que não vivi tudo o que tinha a viver naquela época". e eu digo: é mentira. vivemos tudo, brincámos tudo, chorámos tudo. juntos.

não houve juventude melhor que a minha. e não há melhores amigos que os meus.
tenho a certeza.

10 de agosto de 2010

24 de junho de 2010

quem te quer mudar, não te quer conhecer.


agora todos nós somos actores de cinema
e escondemos-nos bem
dos olhos que o mundo tem
e toda a gente nos vê
só não nos ouve ninguém

tu não tens de ver
tu não tens sequer de amar.
(foge foge bandido - tu não tens de mudar)

desabafos mudos.

30 de abril de 2010

Amor, segundo Wong Kar Wai


ao recolher informação para um trabalho que estou a fazer sobre o In the Mood for Love de Wong Kar Wai, encontrei este artigo engraçado.

Love - Things Wong Kar-wai Taught Me About Love

Requited love is an impossibility.

You will fall in love only once. Obstacles will prevail. The rest of your life is spent recovering.

Eroticising their possessions will be the pinnacle of your sexual fulfilment.

Anything that distracts you from the pain of your loss is good. Some people are more successful in this regard than others.

Hook up with someone. Live with them. Sleep with them. Tag along. Don't be fooled. You are only a transitory distraction. Ask for commitment. Declare your love. Watch the set up evaporate.

The most potent way to exist is to occupy someone else's imagination.

Desire is kept eternally alive by the impossibility of contact.

Modern communication enabling technologies will only heighten your sense of desolation by making you more keenly aware of the fact that no one is trying to call.

by Alice Dallow

27 de abril de 2010


Love is our resistance
They'll keep us apart and they wont to stop breaking us down
Hold me
our lips must always be sealed
.

(muse)

20 de abril de 2010

makes me look the way I feel.


the mirror...it's broken.
yes, I know. I like it that way. makes me look the way I feel.

(the apartment de billy wilder)

14 de abril de 2010

fica ao menos o tempo de um cigarro.


Fica ao menos o tempo de um cigarro, evita
comigo que este tempo ande. Lá fora estão as
casas, vive gente perto do candeeiro, o som
que nos chega apagado pela distância só
denuncia o nosso silêncio interrompido.
Ajuda-me, faremos o inventário das coisas
que quisemos fazer e não fizemos, mágoas
que deixámos esquecidas entre o ruído das
cidades. Fica, não te aproximes, nenhum
dia é menos sombrio, quando anoitecer vamos
ver as árvores caminhando cercando a casa.
(hélder moura pereira)

e todas as noites ele partia deixando para trás a promessa de voltar amanhã. e todas as noites ela o via partir junto à janela, agarrada àquelas palavras, seguindo com o olhar o homem que se misturava com o horizonte. a promessa de um amanhã mais demorado. maldito relógio que assinala a hora de partida dos amantes.

12 de abril de 2010

o beijo.

(Robert Doisneau)

está uma tarde fria.

e a tonalidade do céu reflecte o cansaço dos que lutam contra o tempo.

percorro o passeio e penso na solidão das pessoas, alheias a tudo o que s rodeia. cegas, invisíveis. submersas na imensidão da cidade da qual não sentem fazer parte. todos temos pressa. pressa de chegar. pressa de viver. pressa de morrer.

chega.

sente cada pedra da calçada. recusa a fugacidade do tempo. vive em slow-motion.

….

beija-me, take my breath away.

4 de março de 2010

3 de março de 2010

espécie de fuga.


às vezes, encontro-me presa nas malhas da contingência.

CONTINGÊNCIAS . pequenos acontecimentos, incidentes, inquietações, ninharias, mesquinhisses, futilidades, hábitos da existência apaixonadas; todo o núcleo factual de uma retumbância que acaba por manchar a visão de felicidade do sujeito apaixonado, como se o acaso fizesse intriga contra ele.
(fragmentos de um discurso amoroso, roland barthes)

nunca faz sol nesse lugar. nunca.

2 de março de 2010

a inacção consola de tudo.


a inacção consola de tudo. não agir dá-nos tudo. imaginar é tudo, desde que não tenda para agir. nínguém pode ser rei do mundo senão em sonho. e cada um de nós, se deveras se conhece, quer ser rei do mundo.

temos o que abdicamos, porque o conservamos sonhado, intacto, eternamente à luz do sol que não há, ou da lua que não pode haver.

(livro do desassossego, fernando pessoa)

agi.

20 de fevereiro de 2010

sou.


sou as pessoas que amo. a música que oiço. as coisas que vejo. sou todas as cores e por vezes só branco e negro. um dia de sol ventoso e a noite de lua cheia. aquela que ri de tudo e de nada. a chuva melancólica de outono. sou tudo isso e muito mais, ou talvez isso menos muitas coisas.

(texto escrito há uns anos. no entanto, tão actual.)

sou isto, sou aquilo. sou tudo e tão pouco. sou tão menos do que queria ser.

10 de fevereiro de 2010

se me perguntarem onde estive, respondo (sucintamente)


walter beijamin. aura. obra de arte. reprodutibilidade. victor hugo. habermas. público. multidões. massa. saperas. lasswel. lazarsfeld. espaço público. espaço privado. media. efeitos. sociedade. gittlin. paradigmas. comportamento. cognição. agenda-setting. tematização. kittler. bolter. simondon. heidegger. gestell. técnica e técnica. freud. uncanny. medo. muito medo. platão. fedro. escrita. memória. amor. speaking into the air. experiência. foucault. vigiar. punir. panóptico. kant. adorno. industria da cultura. cinema. planos. wong kar wai. estética .multimédia. web. web 2.0. web 3.0. tecnologia. desenvolvimento. digital. pnju. estágio. citi. câmaras. premiere. aulas.

e pelo meio, os três livros da colecção millenium de stieg larsson. *uff*

and there you go..

andava cheia de vontade de voltar aqui. :)

7 de janeiro de 2010

happy together.

turns out that lonely people are all the same.
(happy together de wong kar vai)

a história de amor de dois homens que viviam para recomeçar de novo. o amor, a esperança, a desilusão, a solidão e a tristeza.. todos estes sentimentos envolvidos num jogo de fotografia, filtros, luzes, velocidade e som que tornam wong kar wai num dos melhores cineastas da actualidade.


1 de janeiro de 2010

30 de dezembro de 2009

whatever works & cerimónias.




I happen to hate New Year's celebrations. Everybody desperate to have fun. Trying to celebrate in some pathetic little way. Celebrate what? A step closer to the grave? That's why I can't say enough times, whatever love you can get and give, whatever happiness you can filch or provide, every temporary measure of grace, whatever works. And don't kid yourself. Because its by no means up to your own human ingenuity. A bigger part of your existence is luck, than you'd like to admit. Christ, you know the odds of your fathers one sperm from the billions, finding the single egg that made you. Don't think about it, you'll have a panic attack.
(whatever works de woody allen)

soube tão bem voltar à nova iorque de woody allen. :)


por aqui, combinam-se os preparativos para o último dia do ano. tudo na véspera, como já é tradição. o meu vestidinho:


(não é o mais prático para festejar pelas ruas nazarenas, mas quando eu o comprei estava convencida que ia passar o ano em lisboa -.-'.. nada que um par de all stars não resolva!)

tenham um óptimo ano!

25 de dezembro de 2009

lições quotidianas.


ser compreendido é prostituir-se.
(livro do desassossego, fernando pessoa)

e eu que andei enganada toda a vida.

24 de dezembro de 2009


feliz natal

19 de dezembro de 2009

donc tu m'aimes totalement.


oui. je t'aime totalement, tendrement, tragiquement.
(le mépris, jean-luc godard)
a ti.

10 de dezembro de 2009

500 days of Summer



This is a story of boy meets girl. The boy, Tom Hansen of Margate, New Jersey, grew up believing that he'd never truly be happy until the day he met the one. This belief stemmed from early exposure to sad British pop music and a total mis-reading of the movie 'The Graduate'.
The girl, Summer Finn of Shinnecock, Michigan, did not share this belief. Since the disintegration of her parent's marriage she'd only love two things. The first was her long dark hair. The second was how easily she could cut it off and not feel a thing. Tom meets Summer on January 8th. He knows almost immediately she is who he has been searching for. This is a story of boy meets girl, but you should know upfront, this is not a love story.
(500 days of Summer, de Marc Webb)

É assim, que o narrador começa a história, que, ao dar-nos uma nova perspectiva sobre uma história de amor, foge completamente ao estereotipo da 'comédia romântica' tão banalizada pelos estúdios americanos.

O enredo desenrola-se à volta da relação tanto divertida como conflituosa de Tom, um eterno apaixonado em busca da sua alma gémea, e Summer, uma rapariga céptica que não acredita no amor.

É engraçado como o filme mantém um paralelismo constante com outros clássicos do cinema, como Annie Hall de Woody Allen, visível na inquietude e insegurança que assola Tom e nas dúvidas e anseios de Summer, e The Graduate de Mike Nichols. Não consegue desviar-se de alguns clichés, mas contorna-os o melhor que pode de uma maneira criativa e inteligente.

Aconselho vivamente a quem queira olhar para um romance contemporâneo de uma maneira honesta e irreverente.

E agora pergunto eu: não é isso, no fundo, que todos queremos? Ser confrontados com a crua nudez do romance? A subvalorização dos floreados que os contos de fadas nos incutem?A honestidade? O medo da desilusão é uma constante realidade que assombra mesmo os mais confiantes. Todos nós temos um pouco da insegurança de Tom, e um pouco do cepticismo de Summer no que diz toca às relações pessoais. Ninguém diz o que realmente sente e, por isso mesmo, o muro que divide a realidade das expectativas criadas se torna cada vez mais inquebrável. É preciso um bocadinho desta honestidade, para começarmos a olhar-nos de outra perspectiva: uma muito mais pessoal e menos dramática.


just because she's likes the same bizzaro crap you do doesn't mean she's your soul mate.

28 de novembro de 2009

procrastinar.*


um dos primeiros recursos próprios de um escritor profissional que Isabella aprendera comigo era a arte e a prática de procrastinar. todos os veteranos do ofício sabem que qualquer ocupação, desde afiar o lápis até catalogar insectos, tem prioridade sobre o acto de se sentar a mesa a espremer o cérebro.
(o jogo do anjo, carlos ruiz zafón)

não sou escritora profissional. mesmo assim, ao ler esta passagem do romance de zafón, não pude deixar de me sentir solidária com esta sua posição.

a culpa é da caneta. perdoem-na, vagueia perdida no centro de um labirinto indolente. é uma cobarde, essa minha caneta: não sabe falar de si própria, e custa-lhe falar das histórias alheias que lhe vestem a tinta. e não luta contra isso.


* o acto de deixar para o amanhã. e para o depois..e depois.

4 de novembro de 2009

well, I really think you should quit smoking.


I am feeling very warm right now
please don't disappear.

I am spacing out with you
you are the most beautiful entity that I've ever dreamed of.
(air )

13 de outubro de 2009


há anos que ando a adiar um destino.

3 de outubro de 2009

fogo e noite.


foi numa noite quente de verão que eu vi o fogo fundir-se com o negro do céu.

as chamas baloiçavam ao som de yann tiersen, harmoniosas. sentada à beira do rio, pensava no plano infinito e na hermenêutica das coisas simples, tentando explicar a mim mesma como é que uma figura jovem, tão frágil quanto ágil, tão mágica quanto banal, conseguia, com duas tochas, um rádio e um anfiteatro de rua, um espectaculo tão vivo e rejubilante.

e dançámos, noite fora, numa valsa interminável: eu, o fogo e a escuridão.

13 de julho de 2009

and sure in language strange.


é noite nos meus olhos.
e nos teus, ainda se sente a água?

assim ergues a pequena verdade. de amor por ti, nunca direi como te quero.

(helder moura pereira)

6 de julho de 2009

embriagada na apatia do dia-a-dia, encontro refúgio numa posição fetal quase física, quase mental.

22 de junho de 2009

das despedidas.


corações inquietos, abraços apertados, beijos demorados. corações partidos, lágrimas derramadas, presas entre o grito e a ausência. até logo. até amanhã. até um dia, quem sabe?

- escreve-me.

- escrever-te-ei.

- lembra-te de mim.

- sempre.

- nunca me esqueças.

- nunca.

16 de junho de 2009

deixa-me entrar.

please oskar... be me, for a little while.
(låt den rätte komma in, tomas alfredson)

não consigo dizer até que ponto este filme mexeu comigo. uma história de horror, vampiros, sangue e morte tão bem enquadrada na fábula do primeiro amor de oskar e eli.
ao contrário de outros romances vampirescos (*coffcoff*twilight*coffcoff), deixa-me entrar foca vários clichés de uma maneira impressionantemente natural, desde permissão para entrar em casa (daí o título do filme) à capacidade de combustão espontânea do sangue em contacto com a luz solar. para não falar da qualidade fotográfica e sonora que remete o espectador directamente para o cenário da acção.
um filme que me impressionou sim, tanto pelo horror como pela beleza e doçura de como é tratado o amor.

9 de junho de 2009

21st. wishlist.


two years ago, I was afraid of wanting anything. I figured wanting would lead to trying, and trying would lead to failure. but now I find I can’t stop wanting. I want to fly somewhere in first class. I want to travel to europe on a business trip. I want to get invited to the white house. I want to learn about the world. I want to surprise myself. I want to be important. I want to be the best person I can be. I want to define myself, instead of having others define me. I want to win and have people be happy for me. I want to lose and get over it. I want to not be afraid of the unknown. I want to grow up to be generous and big-hearted, the way people have been with me. I want an interesting, surprising life. Its not that I think I’m gonna get all of these things. I just want the possibly of getting them.
(friday night lights)

que os 21 sejam tão maravilhosos como os 20. ou mais ainda!

2 de junho de 2009

amor, escárnio e mal dizer.*



é aquele burburinho de fundo que incomoda. o tal tempero das conversas de café..
é aquele olhar certeiro, indiscreto, inflamado de prazer.
é o riso escarninho de quem se esconde atrás de um pudor fingido. a primeira pedra atirada debaixo de um telhado de vidro.


há pessoas que gostam de viver a vida dos outros. e não sabem viver de outra maneira.


* sempre achei um piadão a este título.



e amanhã... que venha AC/DC!

27 de maio de 2009

sounds like a vow.


no harm will ever come to you. not from me, not from anyone else.
and while I'm here, no word of mine will ever hurt you.
(the edge of love de john maybury)

26 de maio de 2009



porque há dias em que caminhamos para dentro de nós.

24 de maio de 2009

die welle.

(die welle, de Dennis Ganse)

acreditam na possibilidade da imergência de uma nova ditadura na alemanha? estes alunos responderam que não.
rainer wenger é o professor que toda a gente gostaria de ter. moderno, descontraído, vestindo uma t-shirt de ramones, é escolhido para leccionar autocracia para uma semana de disciplinas à escolha. contrariado com o tema, decide planear as suas aulas de um modo pouco convencional.
demonstra os pilares do regime instaurando na sala de aula, o seu próprio. obriga-os a executarem as suas ordens, independentemente de quais sejam. ensina-lhes o poder através da disciplina, o poder através da união. a brincadeira é bem recebida por todos, que quiseram participar. criam o nome do grupo, die welle (a onda), um símbolo, um cumprimento e um uniforme e a experiência alastra-se pra fora da escola, atraíndo cada vez mais apoiantes. começam a ajudar-se uns aos outros, a organizar festas próprias e a excluir todos aqueles que não quiseram aderir. não durou muito até que o orgulho e a satisfação em fazer parte de algo maior os fizesse alastrar o simbolo da organização e vandalizar o património público.
uma experiência que foi longe demais e que se assemelha ao inicio no nazismo de Hitler e prova que, tal como aconteceu anteriormente, é impossivel sair ileso deste condicionamento subliminar.

acompanhado de uma banda sonora fantastica, die welle passou para a lista dos meus filmes preferidos, não só pela mensagem atrás da história, mas por todo o trabalho de produção/realização associado ao filme.


ver trailer, aqui.

12 de maio de 2009

hoje sinto-me


leve.


a ausência total de fardo faz com que o ser humano se torne mais leve do que o ar, fá-lo voar, afastar-se da terra, do ser terrestre, torna-o semi-real e os seus movimentos tão livres quanto insignificantes.


(a insustentável leveza do ser, milan kundera)



às vezes sabe bem ser ar, nem que seja por uns momentos. provar o vácuo que preenchemos diariamente, no fundo, de pequenos grandes nadas. hoje, sinto-me leve, e sinto-me bem.
(só me faltas tu).

27 de abril de 2009

em busca de uma àsia adormecida.


hoje tenho saudades. picos no peito que me incomodam, que me embrulham numa nostalgia que se esconde atrás de um suspiro demorado. não tenho saudades do que já foi. mas hoje percebi o quão frágil é o tempo, e o quão inacessíveis são as nossas experiências mais marcantes. conheci o mundo criança. desse mundo, poucas são as recordações verdadeiramente nítidas. são como que polaroids gastas com o passar dos anos. assistimos, inevitavelmente, sem querer, à sua progressiva degradação.

hoje, na faculdade de letras, por uns breves momentos, regressei à àsia. e não soube dizer se era da minha àsia de que falavam. tenho saudades.

25 de abril de 2009

tisana 106.


os românticos diziam que a morte é o desaparecimento do outro porque na verdade como é que eu posso conhecer o desaparecimento de mim. penso nisto e olho para o telefone. penso em ti. o que é que não se tornou um lugar-comum.


(ana hatherly - tisana 106)

22 de abril de 2009

he's just not that into you.

hoje vi, pela segunda vez, o he's just not that into you. sim, foi preciso uma segunda vez para perceber se tinha gostado ou não. o conceito é fofinho, há dialogos óptimos (principalmente entre a dupla gigi e alex). já o filme...não tão bem conseguido. brinca com os diferentes dramas amorosos vividos por um leque de personagens com historias interligadas, mas acaba por se tornar um bocado enfadonho e com pouca piada. paciência.
no entanto, consegui reter algumas coisas do filme:

  1. a ginnifer goodwin e o jason long são o melhor casal de chick flicks de todo o sempre.
  2. vou ensinar o namorado a ser como o ben affleck nas lides domésticas.

deixo aqui o video da minha parte *awww* :). enjoy. (a qualidade não é das melhores, mas foi o único que encontrei).

15 de abril de 2009

2 days in paris.



diz que me tenho desleixado um bocadinho por aqui. não, não estive em paris (infelizmente), estive nos açores e também foi maravilhoso.

2 days in paris é um filme escrito, dirigido e protagonizado pela amorosa julie delpy. uma comédia levezinha e reflexiva sobre relacionamentos, que lembra os primeiros anos de woody allen. marion (delpy) é uma jovem francesa que trabalha como fotografa em nova iorque e, para reavivar a chama do seu namoro, leva jack a conhecer paris, a sua cidade natal, a sua familia, o seu passado. e é aqui que começa todo o conflito: o choque cultural, a língua, os costumes, a revelação de um passado enterrado, cheio de ex-namorados e balões inconvenientes.
foi a segunda experiência na direcção de longas-metragens da actriz e, sem pretenciosismos alguns, construiu uma narrativa tão consistente como inteligente, recheada de bons diálogos.
that's all we ask for, n'est pas?